
Eduardo Zorzanello
Se o turista mudou, o destino também precisa mudar
Por muito tempo, falar sobre turismo significava falar sobre destinos. Onde ir, o que visitar, onde se hospedar. Hoje, essa lógica já não é suficiente. O turista mudou. E, se queremos continuar relevantes, os destinos também precisam mudar.
O viajante de hoje não procura apenas um lugar bonito. Ele busca experiências, autenticidade, gastronomia, cultura, bem-estar, conveniência e, principalmente, algo que faça sentido para ele. Muitas vezes, a própria experiência é o motivo da viagem. Uma pesquisa recente mostra que eventos culturais, shows, gastronomia e outras experiências específicas já influenciam diretamente a escolha dos destinos pelos brasileiros.
Isso muda completamente a nossa responsabilidade enquanto destino turístico. Não basta mais ter bons hotéis, restaurantes e atrativos. É preciso entender quem nos visita, o que essa pessoa deseja viver e como podemos tornar sua jornada mais completa. O turismo deixou de ser apenas sobre chegar a um lugar. É sobre tudo aquilo que acontece antes, durante e depois da viagem.
Gramado e a Serra Gaúcha têm uma vantagem extraordinária: temos história, cultura, gastronomia, natureza, hospitalidade e uma capacidade reconhecida de criar experiências. Mas não podemos viver apenas das conquistas do passado. Precisamos continuar inovando.
Isso significa também olhar para tecnologia, sustentabilidade, acessibilidade e integração regional. Significa entender que o visitante não enxerga as fronteiras entre municípios da mesma forma que nós. Para ele, Serra Gaúcha é uma experiência que pode começar em um lugar, passar por outro e terminar em um terceiro.
Também precisamos compreender que os grandes eventos ganharam um papel ainda mais estratégico. Eles são capazes de despertar o desejo de viajar, movimentar a economia e criar novas razões para que as pessoas escolham determinado destino. O calendário turístico, portanto, não é apenas uma agenda de eventos. É uma ferramenta de desenvolvimento.
O novo turista também está mais atento. Quer consumir melhor, conhecer a cultura local, valorizar produtos regionais e encontrar destinos que tenham identidade. Isso nos desafia a transformar aquilo que já fazemos bem em experiências cada vez mais qualificadas.
Talvez essa seja uma das grandes perguntas que o turismo precisa fazer neste momento: não apenas “quantas pessoas queremos trazer?”, mas “o que queremos que elas levem daqui?”.
A resposta passa por memória, conexão e pertencimento. O futuro do turismo não será construído apenas pelos destinos que conseguirem atrair mais visitantes, mas por aqueles que conseguirem compreender melhor seus visitantes.
Eduardo Zorzanello
CEO FEsturis
Gramado, 23 de setembro de 2026
