Gramado é uma ideia
Quem olha para Gramado hoje — essa cidade tão desejada, com seus milhões de visitantes
anuais e que tanto nos orgulha — muitas vezes não imagina o caminho trilhado até aqui.
Gramado não é um produto acabado; é uma ideia coletiva. O destino turístico consolidado que
temos não é fruto do acaso, mas um dos raros exemplos brasileiros de um município que, ao
longo de um século, construiu conscientemente o seu posicionamento. Como toda grande visão
aperfeiçoada por diferentes gerações, ela nunca permaneceu estática: evoluiu, adaptou-se às
transformações do mundo e encontrou novas formas de se expressar.
Uma das formas em que esse conceito fica mais evidente é no próprio território. A maneira como
ocupamos nosso espaço é um tema onipresente no cotidiano, mas que raramente ganha
destaque fora dos círculos técnicos. Planejar nossas ruas, desenhar espaços públicos e construir
edifícios são ações que influenciam diretamente a qualidade de vida. O desenvolvimento urbano
não é apenas técnica; é parte da história que contamos sobre nós mesmos. É, acima de tudo,
pertencimento.
Hoje, muito se fala em inovação, quase sempre confundindo o termo com tecnologia. Mas as
cidades também inovam, e a trajetória de Gramado é singular nesse aspecto. Tivemos momentos
profundamente transformadores, como a ousada mudança da sede do distrito para o centro
urbano atual (junto com a chegada do trem) ou a instituição do nosso primeiro Plano Diretor. Muito
antes de conceitos como branding territorial ou experiência do usuário se tornarem populares, a
cidade já compreendia a importância de construir uma identidade própria. A valorização da nossa
paisagem — entendida como a soma do território com a arquitetura — é a materialização mais
evidente da “ideia Gramado”.
Para honrarmos esse legado e continuarmos na vanguarda, o planejamento urbano segue sendo
a nossa principal ferramenta. É por isso que o poder público, liderado pela Secretaria de
Planejamento em parceria com Meio Ambiente, Turismo e entidades como a Planta e a Agência
Visão, atua no desenvolvimento de projetos estratégicos. Iniciativas como a Nova Centralidade, a
requalificação do Lago Joaquina Rita Bier, a remodelação da Rua Coberta, o Parque das
Orquídeas e a Lei do Estilo Arquitetônico não são apenas obras ou regulamentos isolados. Eles
são os próximos capítulos na construção contínua desta grande ideia coletiva.
Coluna – Julho 2026 –
Sec.: Rafel Bazzan