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O que nos diferencia? Cada cidade ou região tem sua vocação. Algumas se destacam pela pecuária, outras para a cultura em grande escala, passando por regiões industriais, outras turísticas. A…

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O conjunto de fatores que tornam Gramado uma das mais belas e hospitaleiras cidades do Brasil é repleto de itens como: Clima, Beleza natural, ótimos hotéis, parques, comércio e gastronomia de alto padrão, hospitalidade, aconchego, eventos legais e…. Arquitetura. Esta última, com certeza tem mais importância do que imaginamos. 

Imaginem que Gramado criou uma Lei para proteger nosso estilo Arquitetônico. Qual outra cidade no Brasil possui algo parecido? Um dos nossos maiores legados tem de ser protegido, continuado e respeitado. A intenção desta Lei é esta. Investidores e empreendedores do ramo imobiliário são todos bem-vindos, mas o que pedimos é que respeitem nossas raízes culturais, entendam o nosso DNA, pois foi assim que nos tornamos o que somos. Os turistas que nos visitam levam seus celulares carregados de fotos e, tenho certeza, a maioria delas tem como pano de fundo alguma de nossas obras com arquitetura típica. Nossa Av. Borges de Medeiros é, por si só, um cartão postal único. Praticamente todos os dias vemos jovens casais bem cedo da manhã tirando fotos na Borges, em pré-casamento, casamento, ou noivado. 

Quando alguém me pergunta qual nosso estilo arquitetônico, respondo: Estilo Gramado! Já temos nosso próprio estilo. Inspirado, claro, em raízes europeias, afinal somos uma cidade formada pela imigração alemã e italiana. Isso não quer dizer que não se possa ter criatividade em projetar com tendências mais atuais. Isso porque um dos pontos de nosso Estilo Gramado é a materialidade, ou seja, uso de matérias naturais como madeira, pedra, tijolo, e não somente a volumetria da obra. 

Há quem chame nosso estilo de cafona, “bavoroso” (alusão ao bávaro), cópia europeia barata (nem tanto), Disney tupiniquim, como um certo escritor gaúcho de caráter duvidoso já externou. Certo é que recebemos milhões de turistas todos os anos, somos o segundo maior destino turístico do Brasil, temos um dos maiores Natal do Mundo e um dos m² mais caros do Brasil. Se isso é ser cafona e “bavoroso”, que continuemos sendo. Mas eu não acho! Somos atemporais. Tipo aquela comida boa que nunca sai de moda. 

 

Autor: Ricardo Peccin

Data: 13/04/2026

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Gramado: a transição de um destino para uma narrativa viva

Por Ricardo Bertolucci 

Gramado nunca foi um acaso. Quem observa a cidade apenas pelo seu resultado, ruas cuidadas, arquitetura coerente, eventos consolidados, corre o risco de não compreender o que realmente a sustenta: uma construção contínua, coletiva e profundamente intencional.

Hoje, no entanto, vivemos um novo momento. Não se trata apenas de manter o que foi feito, mas de reinterpretar o que somos. Gramado está em transição. E essa transição tem um eixo claro: deixar de ser percebida apenas como um destino turístico para se afirmar como uma narrativa viva. É nesse contexto que surge o conceito “Gramado — Feita de Histórias”.

Essa não é uma mudança estética. É uma mudança de lógica.

Durante décadas, Gramado se consolidou com base em atributos tangíveis, infraestrutura, eventos, organização urbana. Esse modelo foi essencial e continua sendo. Mas o mundo mudou. Os destinos mais relevantes hoje não competem apenas por estrutura; competem por significado. E significado nasce de identidade.

Foi com esse entendimento que iniciamos um processo estruturado de reposicionamento, contando com o apoio da consultoria N Lugares Futuros. O trabalho não partiu de um exercício criativo isolado, mas de um diagnóstico profundo sobre o que torna Gramado verdadeiramente singular.

E aqui está um ponto central: singularidade não é aquilo que queremos ser. É aquilo que só nós podemos ser.

Gramado não é apenas bonita. Não é apenas organizada. Não é apenas turística. Gramado é uma cidade que, ao longo de sua história, construiu uma capacidade rara de transformar realidade em experiência e experiência em memória.

Desde os primeiros imigrantes, passando pela construção da identidade arquitetônica, até a criação de eventos como o Natal Luz ou o Festival de Cinema, há um padrão que se repete: Gramado cria histórias que são vividas pelas pessoas.

O conceito “Feita de Histórias” nasce dessa constatação. Ele não é uma invenção. É uma leitura.

Mas mais importante do que o conceito em si é o que ele exige de nós.

Essa transição implica uma mudança de postura em todas as frentes.

Na gestão pública, significa planejar a cidade não apenas como espaço físico, mas como experiência narrativa.

No trade turístico, significa entender que cada serviço prestado, do hotel ao restaurante, é parte de uma história maior.

Na comunicação, significa abandonar discursos genéricos e assumir uma identidade própria, coerente e contínua.

No urbanismo, significa reforçar uma estética que dialogue com essa narrativa, respeitando o passado e projetando o futuro.

Não se trata de “contar histórias” no sentido superficial. Trata-se de estruturar a cidade como um sistema de histórias.

Essa lógica nos permite avançar em algo que poucos destinos conseguem: consistência de identidade ao longo do tempo.

E isso é estratégico.

Num cenário global em que destinos competem cada vez mais por atenção, investimento e desejo, não vence quem faz mais barulho. Vence quem constrói mais sentido.

Gramado já provou que sabe se reinventar sem perder sua essência. A transição que estamos vivendo agora é mais um desses momentos, talvez o mais sofisticado deles. Porque não se trata apenas de crescer ou modernizar. Trata-se de refinar o que somos.

“Feita de Histórias” não é um slogan. É um compromisso.

Um compromisso de continuar construindo uma cidade onde o passado não é esquecido, o presente é vivido com intensidade e o futuro é desenhado com intenção.

Gramado segue sendo um destino.

Mas, acima de tudo, passa a ser compreendida como aquilo que sempre foi:

uma história em constante construção.

 

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Gramado é uma ideia

Quem olha para Gramado hoje — essa cidade tão desejada, com seus milhões de visitantes
anuais e que tanto nos orgulha — muitas vezes não imagina o caminho trilhado até aqui.
Gramado não é um produto acabado; é uma ideia coletiva. O destino turístico consolidado que
temos não é fruto do acaso, mas um dos raros exemplos brasileiros de um município que, ao
longo de um século, construiu conscientemente o seu posicionamento. Como toda grande visão
aperfeiçoada por diferentes gerações, ela nunca permaneceu estática: evoluiu, adaptou-se às
transformações do mundo e encontrou novas formas de se expressar.
Uma das formas em que esse conceito fica mais evidente é no próprio território. A maneira como
ocupamos nosso espaço é um tema onipresente no cotidiano, mas que raramente ganha
destaque fora dos círculos técnicos. Planejar nossas ruas, desenhar espaços públicos e construir
edifícios são ações que influenciam diretamente a qualidade de vida. O desenvolvimento urbano
não é apenas técnica; é parte da história que contamos sobre nós mesmos. É, acima de tudo,
pertencimento.
Hoje, muito se fala em inovação, quase sempre confundindo o termo com tecnologia. Mas as
cidades também inovam, e a trajetória de Gramado é singular nesse aspecto. Tivemos momentos
profundamente transformadores, como a ousada mudança da sede do distrito para o centro
urbano atual (junto com a chegada do trem) ou a instituição do nosso primeiro Plano Diretor. Muito
antes de conceitos como branding territorial ou experiência do usuário se tornarem populares, a
cidade já compreendia a importância de construir uma identidade própria. A valorização da nossa
paisagem — entendida como a soma do território com a arquitetura — é a materialização mais
evidente da “ideia Gramado”.
Para honrarmos esse legado e continuarmos na vanguarda, o planejamento urbano segue sendo
a nossa principal ferramenta. É por isso que o poder público, liderado pela Secretaria de
Planejamento em parceria com Meio Ambiente, Turismo e entidades como a Planta e a Agência
Visão, atua no desenvolvimento de projetos estratégicos. Iniciativas como a Nova Centralidade, a
requalificação do Lago Joaquina Rita Bier, a remodelação da Rua Coberta, o Parque das
Orquídeas e a Lei do Estilo Arquitetônico não são apenas obras ou regulamentos isolados. Eles
são os próximos capítulos na construção contínua desta grande ideia coletiva.

Coluna – Julho 2026 –
Sec.: Rafel Bazzan

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Conexões que movem Gramado

Há uma pergunta que volta e meia me faço quando caminho por Gramado. O que faz uma cidade relativamente pequena ocupar um espaço tão grande no imaginário das pessoas? A resposta nunca está em um único elemento. Não é apenas a arquitetura, embora ela tenha ajudado a construir uma identidade reconhecida em qualquer fotografia. Não é apenas a gastronomia, os hotéis, os parques ou os eventos que, ano após ano, renovam o fluxo de visitantes. Tampouco pode ser explicada apenas pelos números expressivos do turismo.

Gramado é maior do que a soma de seus atrativos. Existe uma lógica invisível que sustenta tudo isso. Ao longo da minha vida, acompanhando a cidade como moradora, empresária e alguém profundamente conectada às suas transformações, aprendi que os lugares mais admirados dificilmente são resultado de decisões isoladas. Eles são consequência de uma cultura.

E cultura se constrói lentamente. Ela nasce quando diferentes gerações compartilham uma visão comum, mesmo sem perceber. Quando empresários entendem que o sucesso individual depende da força do destino como um todo. Quando o setor público, a iniciativa privada e a comunidade conseguem, apesar das diferenças, caminhar na mesma direção em temas essenciais.

Foi assim que Gramado se consolidou. Muito antes de se tornar uma referência nacional em turismo, alguém precisou acreditar que era possível transformar uma pequena cidade da Serra Gaúcha em um destino desejado. Depois vieram outros que ampliaram essa visão, investiram, inovaram, criaram eventos, qualificaram serviços, preservaram espaços públicos, valorizaram a arquitetura, fortaleceram a gastronomia e compreenderam que excelência não é um objetivo alcançado uma única vez. É uma decisão que precisa ser renovada todos os dias. Gramado tem essa capacidade de construção conjunta. Acredito que essa seja a conexão mais importante da nossa cidade.

Ao longo da minha trajetória profissional, tive a oportunidade de participar de projetos em áreas muito diferentes entre si. E existe uma percepção que sempre me acompanha: grandes realizações raramente começam com grandes estruturas. Elas começam quando pessoas compartilham uma visão suficientemente forte para reunir talentos, competências e coragem ao redor de uma mesma ideia.

Foi assim em muitos momentos da história de Gramado. E continua sendo. Vivemos um tempo em que destinos turísticos disputam atenção em escala global. O visitante de hoje compara cidades, hotéis, restaurantes e atrações com uma facilidade que nunca existiu. As referências mudam rapidamente, os hábitos de consumo evoluem e as expectativas aumentam na mesma velocidade. A inovação, quando nasce desse entendimento, deixa de ser uma ruptura e passa a ser continuidade.

Foi exatamente isso que Gramado fez diversas vezes ao longo de sua história. Soube preservar sua identidade sem deixar de incorporar novas ideias. Soube crescer sem perder sua escala humana. Soube atrair investimentos mantendo características que fazem a cidade ser reconhecida e desejada.

Naturalmente, novos desafios continuarão surgindo. Mobilidade, sustentabilidade, desenvolvimento urbano, formação de mão de obra, tecnologia, competitividade e qualidade de vida já fazem parte das discussões que definirão o futuro da nossa cidade.

Mas acredito que a resposta continuará sendo a mesma que nos trouxe até aqui. Conexão entre tradição e inovação. Entre desenvolvimento econômico e responsabilidade coletiva. Mas, sobretudo, a conexão entre pessoas.

Aceitei escrever esta coluna porque acredito que são essas conexões que merecem ser observadas. Como gramadense, mais do que registrar acontecimentos, quero refletir sobre as ideias, pessoas, iniciativas e movimentos que ajudam a construir o futuro da nossa cidade.

Gabriela Michaelsen – @gabigramado

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O que nos diferencia?

Cada cidade ou região tem sua vocação. Algumas se destacam pela pecuária, outras para a cultura em grande escala, passando por regiões industriais, outras turísticas.

A Região das Hortênsias conta com a presença de todos esses setores, mas fez uma escolha clara: definir o turismo como o seu grande diferencial competitivo..

Uma vez estabelecido que o turismo seria o motor econômico da região, tornou-se fundamental responder a uma pergunta: o que nos torna únicos a ponto de despertar no visitante o desejo de nos conhecer?

Pensando em outras regiões, por exemplo, as litorâneas, elas tem o mar e a gastronomia que é característica daquela região. Em Minas Gerais, onde é forte a produção do queijo e da cachaça, estes produtos têm papel fundamental no estabelecimento daquela região como turística.

Quando pensamos na Região das Hortênsias, já temos a Hortênsia no nome, o que já é um diferencial. Seguindo, é preciso entender o que cada cidade tem de único e que pode oferecer ao visitante para encantá-lo.

Temos Nova Petrópolis e Picada Café com forte colonização e cultura germânica, o que é visto fortemente no comportamento, arquitetura e gastronomia, já São Francisco de Paula com traços importantes da cultura gaúcha, onde novamente a rotina da cidade, o comportamento de seus moradores e a gastronomia e atrativos oferecidos enaltecem esta temática.

Canela nos presenteia com suas belezas naturais, sendo reconhecida como Capital Brasileira dos Parques, aliando gastronomia e hotelaria para bem receber quem lhe visita.

Gramado por sua vez, com seus eventos de projeção nacional e internacional, oferece ao visitante uma série de atrativos na área do entretenimento, assim como gastronomia e hotelaria que encantam e conquistam.

Mas o que nos diferencia? Cada cidade tem suas particularidades, suas características, sua colonização e cultura. Cada cidade soube aproveitar o que tem de melhor, o que faz parte de sua essência e transformar isto em produto, e o produto levado ao mercado se propõe a oferecer experiências que o visitante só pode ter aqui, pois se ele quiser praia não é o nosso destino que ele vai procurar.

Nesta linha, voltamos à complementaridade entre as cidades e ao invés da concorrência. Saber identificar aquilo que se pode oferecer de melhor nos torna únicos e uma vez sendo únicos, é mais difícil perdermos o nosso cliente visitante.

Quando entendemos que a união da diversidade cultural, gastronomia, entretenimento e segurança é o que nos torna únicos, deixamos de competir entre nós e passamos a consolidar nosso sucesso como destino.

Jorge Maldaner

Presidente da Visão Agência de Desenvolvimento da Região das Hortênsias

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Eventos: o legado que transforma Gramado 

Quando se fala em Gramado, é natural que venham à mente suas paisagens, a gastronomia, a hospitalidade e os grandes espetáculos que encantam milhões de visitantes todos os anos. Mas existe um elemento que, muitas vezes, passa despercebido por quem observa apenas o resultado: me refiro a força dos eventos como motor do desenvolvimento econômico, social e da projeção internacional de Gramado.

A nossa cidade não se tornou uma referência nacional e internacional por acaso. Essa posição é fruto de um trabalho construído ao longo de décadas, baseado em planejamento, empreendedorismo, cooperação entre os setores público e privado e, principalmente, na capacidade de criar experiências capazes de atrair visitantes durante todo o ano.

Os grandes espetáculos de entretenimento, que ajudam a consolidar a imagem de Gramado como um destino de experiências memoráveis, convivem de forma complementar com um segmento igualmente importante: o turismo de negócios e eventos. Congressos, feiras, encontros corporativos, convenções e viagens de incentivo movimentam uma cadeia econômica ampla, que beneficia hotéis, restaurantes, comércio, transporte, prestadores de serviços e inúmeros profissionais que fazem o turismo acontecer.

E veja mais este detalhe: os eventos ajudam a reduzir a sazonalidade, gerando um fluxo de visitantes em momentos de baixa temporada, ajudando a distribuir melhor a ocupação ao longo do calendário criando oportunidades para empresas e trabalhadores. Em um destino cuja economia tem no turismo seu principal ativo, manter um calendário consistente de eventos significa garantir estabilidade, investimento e desenvolvimento.

Nesse contexto, é necessário citar o Festuris, que desempenha um papel que vai além da realização de uma feira de negócios. Ao longo de quase quatro décadas, consolidou-se como uma das principais plataformas de promoção turística da América Latina, reunindo profissionais de diversos países e conectando destinos e marcas.

Ao trazer operadores, agentes de viagens, companhias aéreas, redes hoteleiras, destinos internacionais, investidores e formadores de opinião para Gramado, o Festuris contribuiu diretamente para ampliar a visibilidade do município no mercado global. Essa internacionalização gera um efeito multiplicador. Muitos profissionais conhecem Gramado durante o Festuris e retornam posteriormente com suas famílias ou passam a comercializar o destino em seus mercados de origem, fortalecendo um ciclo virtuoso que beneficia toda a economia local.

Os eventos também têm outro papel fundamental: inspiram investimentos. Uma cidade que demonstra capacidade para organizar grandes encontros transmite confiança ao mercado, atrai novos empreendimentos, fortalece sua infraestrutura e amplia sua competitividade diante de outros destinos.

Gramado é hoje reconhecida pela excelência na realização de eventos porque construiu um ambiente favorável ao empreendedorismo, à inovação e à colaboração. Esse modelo tornou-se uma referência para diversos municípios brasileiros.

No entanto, esse protagonismo não pode ser encarado como uma conquista definitiva. O turismo é um setor altamente competitivo. Novos destinos surgem, novas demandas aparecem e o comportamento dos viajantes se transforma constantemente. Permanecer relevante exige investimento contínuo, planejamento, criatividade e visão de longo prazo.

Fortalecer o calendário de eventos é fortalecer a economia de Gramado. É preservar empregos, estimular novos negócios, ampliar oportunidades para pequenos empreendedores e manter a cidade conectada com o Brasil e com o mundo.

Os eventos deixam muito mais do que lembranças. Eles deixam conhecimento, negócios, relacionamentos, investimentos e desenvolvimento. Deixam um legado que permanece muito depois que as luzes se apagam e os estandes são desmontados.

É justamente esse legado que faz de Gramado um dos destinos turísticos mais admirados do país e reforça a certeza de que investir em eventos é investir no futuro da cidade.

 

Por Eduardo Zorznaello, CEO do Festuris – Feira Internacional de Turismo de Gramado

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A história de Gramado costuma ser contada a partir de seus eventos, do seu crescimento ou da força no turismo. Existe, porém, uma narrativa menos evidente e mais reveladora. Ela não trata da evolução da cidade, mas sim da formação de um significado. A verdade é que Gramado tornou-se uma marca muito antes de alguém utilizar essa palavra para descrevê-la.

O desenvolvimento de uma cidade pode trazer pessoas, investimentos e uma economia pulsante. Tudo isso é positivo, mas ainda assim não a qualifica como uma marca de valor. Na minha visão, é neste ponto que Gramado se diferencia, pois alcançou algo difícil de conquistar e mais ainda de manter: transformou seu próprio nome em um ativo de valor.

Hoje, dizer “Gramado” significa muito mais do que indicar um ponto no mapa da Serra Gaúcha. Significa evocar um conjunto de percepções, expectativas e sentimentos construídos ao longo de décadas e, sobretudo, sustentados por pessoas.

Durante muito tempo, achei que minha trajetória como jornalista tivesse sido dedicada a contar a história e os feitos de Gramado. Hoje, percebo que ela me permitiu acompanhar algo muito mais raro, a construção consistente de uma marca.

Ao longo de mais de vinte e cinco anos escrevi sobre turismo, economia, gastronomia, empreendedorismo, eventos e pessoas. Entrevistei pioneiros, acompanhei empresas nascerem, testemunhei sucessões familiares e vi novos investimentos redesenharem a cidade. Mais tarde, quando o branding passou a fazer parte da minha qualificação e atuação profissional, compreendi que todos aqueles acontecimentos tinham um elemento em comum: reputação.

Existe um equívoco recorrente quando se tenta explicar o sucesso de Gramado. A narrativa costuma começar pelos grandes eventos, pelos hotéis e restaurantes ou pelos milhões de visitantes recebidos a cada ano. Na minha percepção, a marca “Gramado” foi cunhada muito antes. Começa quando uma comunidade formada por imigrantes alemães, italianos e portugueses escolheram transformar trabalho, cooperação, cuidado com os espaços públicos e compromisso coletivo em valores permanentes. O turismo foi consequência. E a consolidação desses valores em marca também.

É curioso observar quantas empresas investem grandes recursos tentando construir uma marca, enquanto ignoram aquilo que realmente lhe dá sustentação: coerência. Marcas não se consolidam pela intensidade da comunicação, mas pela consistência das decisões.

Gramado nunca ocupou um espaço privilegiado na memória das pessoas porque disse que era diferente. Ocupou porque, durante décadas, confirmou essa promessa em milhares de pequenas atitudes, muitas delas imperceptíveis aos olhos.Tudo isso culminou em um ativo muito valioso: confiança.

A confiança não pode ser inaugurada, acelerada ou comprada. Apenas conquistada. Essa é a maior responsabilidade de quem empreende, investe ou vive em Gramado. Cada decisão fortalece (ou enfraquece) um patrimônio que pertence a todos.

É justamente por isso que considero reducionista afirmar que Gramado “vende turismo”. Gramado vende confiança. Quem decide passar férias confia que irá encontrar hospitalidade e qualidade na experiência vivida. Quem investe, confia na estabilidade e em um ambiente favorável ao empreendedorismo. Quem escolhe a cidade para morar confia que encontrará qualidade de vida e oportunidades.

A reputação de Gramado nunca pertenceu exclusivamente ao poder público, ao setor turístico ou às empresas. Ela pertence à percepção construída diariamente por milhões de pessoas que vivem, trabalham, investem e visitam a nossa cidade.

Contudo, toda marca consolidada enfrenta um desafio permanente. O sucesso do passado pode se transformar na maior armadilha do futuro. Reputação não é um patrimônio estático. Ela exige vigilância constante, capacidade de adaptação e coragem para inovar sem romper com aquilo que lhe confere autenticidade, qualidade e confiança. Acredito que este é o maior compromisso da marca Gramado para as próximas décadas.

Adriana Silveira

Jornalista, especialista em Branding Corporativo e Personal Branding

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Gramado é uma inconformada

Quem estava aqui quando o apito do trem quebrou o silêncio, em 1921?
Quem estava aqui quando imigrantes, com urgência, abriam estradas com nada além de pobreza e coragem?
Quem estava aqui quando a placa de “aberto” foi estreada na vitrine do primeiro restaurante?
Nós estávamos, todos. E estávamos porque carregamos, resilientes e criativos que somos, o DNA da invenção (típico a quem faz desta terra o seu lar): do fazer com a ferramenta crua, porém disponível; do sonhar com um futuro apartado, porém possível; do criar com a inquietude de um projeto ambicioso, porém inconformado.
Gramado é a incubadora de desejos do Brasil, em uma jornada tão orgânica quanto rara. A região cravada entre as montanhas, ainda tímida e recolhida, se fez no século 20 com o desembarque desesperado e um tanto astuto de sujeitos europeus à procura de uma vida digna: com comida, com habitação, com segurança. Pensemos, juntos: qual o maior indicativo de desesperança, se não a fome? E qual o maior guindaste para a transformação, se não o trabalho? Ao combinar (neste caso, literalmente) a fome com a vontade de comer, esta gente vinda do lado de lá do oceano fez o que precisava ser feito: não se conformou.

 

Quem escolheu fazer

Gramado é a soma daquelas e daqueles que semearam esperança ao subir a serra desconhecida; que instituíram uma comunidade de colaboração e pertencimento; e que fabricaram a cultura da hospitalidade, com um processo de bem receber avesso à cópia, tão genuíno e ímpar que é.
Com a chegada da ferrovia, na década de 20, a comida é a protagonista econômica e principal fonte de renda da ainda pequena população – seja na agricultura (aliada à exploração da madeira), no comércio (de armazéns de secos e molhados), na hotelaria (com o estímulo à vinda de turistas), e no transporte (uma vez que estes visitantes chegariam via linha férrea).
A terra provia alimento: para encerrar a fome.
O trabalho gerava renda: para estimular o desenvolvimento.
Com disciplina, perspicácia, ambição e resiliência, mulheres e homens moldaram com orgulho o gentílico “gramadense” e constituíram uma cadeia ancorada na alimentação: ao apresentar cada refeição como um pedaço de Gramado. A hospitalidade com denominação de origem é o berço: primeiro, servimos aos nossos; depois, abastecemos quem por aqui desembarca; e mais adiante, acolhemos quem deseja permanecer.

 

Uma história de inquietação

O segredo é começar. E elas e eles começaram.
Com os embutidos maturando nos porões, com o pão assado em forno de pedra, com as cucas moldadas a mão, com os galetos ao primeiro canto, com as uvas que fariam a comunidade feliz com um tanto de vinho (e um pouco de suco, por que não?).
A produção agrícola inverte a versão de pequeno vilarejo do interior para um destino de entretenimento, de oportunidade de renda, de uma gente crítica e inventiva. Consciente ou não, cada próximo projeto empreendedor que alimentou a indústria criativa e vibrante estava ali, sempre dobrando a esquina mais próxima. Gramado é este território edificado sobre as histórias vividas e contadas por uma gente inconformada: que não cessou, que não descansou, que não desistiu. São os gramadenses que aqui espalharam a boa nova das fondues, dos cafés coloniais, das churrascarias, dos biscoitos, das cantinas; com a mesa farta para compartilhar e nunca esquecer de quem fez da gastronomia o principal porquê de sermos quem somos.
São estes mesmos princípios de coletividade e de desassossego que impulsionam a nós, do recém-nomeado Grupo Terruá, há três décadas (com os restaurantes Di Pietro, MLBK, Catherine e Soleil Casa Perini): com extrema honra e com imensurável respeito nós carregamos o inconformismo de quem entendeu que esta cidade merece e precisa de mais.
É por esta história lapidada desde o fim do século 19 que a matéria-prima de quem serve comida em Gramado não é o pinhão, a erva-mate, a polenta, a galinha, o chocolate. O ingrediente mais inseparável do cozinhar e do serviço sempre foi, ainda é e desejamos que permaneça sendo: a certeza de que é preciso estar em movimento.

 

JOSIANO SCHMITT
Diretor Grupo TERRUÁ
Di Pietro
MLBK
Catherine
Soleil

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