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Muito se fala na Região das Hortênsias com destino turístico em evidência do estado do Rio Grande do Sul e no Brasil. Anualmente recebemos milhões de turistas vindos de diversas regiões do país e nos empenhamos para lhes proporcionar boas experiências. Uma…
Muito se fala na Região das Hortênsias com destino turístico em evidência do estado do Rio Grande do Sul e no Brasil. Anualmente recebemos milhões de turistas vindos de diversas regiões do país e nos empenhamos para lhes proporcionar boas experiências. Uma cidade ou uma região se torna um destino turístico desejado se proporcionar ao visitante no mínimo três ingredientes básicos: ter o que fazer, ter onde ficar e ter onde comer. Primeiro aparecem os atrativos que cada destino pode oferecer, sejam destinos naturais, culturais e criados através da criatividade e investimento de seus empreendedores e que fazem com que o turista tenha desejo de visitar aquela cidade ou região. Aliado a isto é preciso que o visitante tenha meios de hospedagem e nesta seara entramos novamente na visão, investimento e capacidade dos empreendedores de oferecerem hospedagem que atendam às expectativas do visitante. No ramo da gastronomia apresentam-se os fatores culturais e regionais, aquilo que difere o destino de outros e que pode ser encontrado unicamente ali. A gastronomia tem um papel fundamental no turismo, ela tem a capacidade de criar memórias afetivas e vinculadas ao local. Na Região das Hortênsias temos ainda um ingrediente importante que nos difere ainda mais de outros destinos: a segurança. A segurança vem sendo tratada com muita seriedade como o quarto pilar do turismo na nossa região, onde o visitante precisa se sentir seguro para usufruir do melhor que a região pode ofertar. Mas nada disso acontece sozinho ou por acaso. Tudo isto é fruto do empenho e do trabalho alinhado entre entes da iniciativa privada e do setor público. A iniciativa privada com sua grande capacidade de inovação, criatividade, investimento e inovação, e o setor público com políticas públicas que tornem o destino seguro e amigável ao empreendedorismo e ao investimento privado. Quando cidades, empreendedores e governos compreendem o papel de cada um nesta engrenagem chamada turismo, temos a integração dentro disto que chamamos de ecossistema, onde cada um complementa o outro ao invés de concorrerem entre si. Sabermos identificar o papel que cada um desempenha dentro de um ecossistema é fundamental para o seu desenvolvimento e sucesso. Neste ponto a concorrência abre espaço para a complementaridade e aí todos saem ganhando. Jorge Maldaner Presidente da Visão Agência de Desenvolvimento da Região das Hortênsias 14 10 2026
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Muito se fala na Região das Hortênsias com destino turístico em evidência do estado do Rio Grande do Sul e no Brasil.
Anualmente recebemos milhões de turistas vindos de diversas regiões do país e nos empenhamos para lhes proporcionar boas experiências.
Uma cidade ou uma região se torna um destino turístico desejado se proporcionar ao visitante no mínimo três ingredientes básicos: ter o que fazer, ter onde ficar e ter onde comer.
Primeiro aparecem os atrativos que cada destino pode oferecer, sejam destinos naturais, culturais e criados através da criatividade e investimento de seus empreendedores e que fazem com que o turista tenha desejo de visitar aquela cidade ou região.
Aliado a isto é preciso que o visitante tenha meios de hospedagem e nesta seara entramos novamente na visão, investimento e capacidade dos empreendedores de oferecerem hospedagem que atendam às expectativas do visitante.
No ramo da gastronomia apresentam-se os fatores culturais e regionais, aquilo que difere o destino de outros e que pode ser encontrado unicamente ali. A gastronomia tem um papel fundamental no turismo, ela tem a capacidade de criar memórias afetivas e vinculadas ao local.
Na Região das Hortênsias temos ainda um ingrediente importante que nos difere ainda mais de outros destinos: a segurança. A segurança vem sendo tratada com muita seriedade como o quarto pilar do turismo na nossa região, onde o visitante precisa se sentir seguro para usufruir do melhor que a região pode ofertar.
Mas nada disso acontece sozinho ou por acaso. Tudo isto é fruto do empenho e do trabalho alinhado entre entes da iniciativa privada e do setor público.
A iniciativa privada com sua grande capacidade de inovação, criatividade, investimento e inovação, e o setor público com políticas públicas que tornem o destino seguro e amigável ao empreendedorismo e ao investimento privado.
Quando cidades, empreendedores e governos compreendem o papel de cada um nesta engrenagem chamada turismo, temos a integração dentro disto que chamamos de ecossistema, onde cada um complementa o outro ao invés de concorrerem entre si.
Sabermos identificar o papel que cada um desempenha dentro de um ecossistema é fundamental para o seu desenvolvimento e sucesso.
Neste ponto a concorrência abre espaço para a complementaridade e aí todos saem ganhando.
Jorge Maldaner
Presidente da Visão Agência de Desenvolvimento da Região das Hortênsias
14 10 2026

Um destino turístico não pode apenas esperar que as pessoas venham. Precisa criar motivos para que elas venham.
A Região das Hortênsias aprendeu isso ao longo de sua história.
Eventos, congressos, convenções e encontros ajudam a movimentar hotéis, restaurantes, comércio, transporte e dezenas de outros setores. Mais do que isso: podem trazer pessoas justamente nos períodos em que o turismo de lazer naturalmente diminui.
É por isso que destinos do mundo inteiro disputam eventos.
E existe uma estrutura criada justamente para ajudar os destinos nessa disputa: os Convention & Visitors Bureaux.
Talvez muita gente na Região das Hortênsias já tenha ouvido falar no Convention, mas ainda não saiba exatamente o que fazemos.
A resposta mais simples seria:
“Ajudamos a criar motivos para que pessoas e eventos escolham a Região das Hortênsias”
Um congresso que acontece em nossa região pode começar anos antes, quando alguém levanta uma possibilidade: “Por que não a Região das Hortênsias?”
A partir daí existe um trabalho que quase ninguém vê: identificar oportunidades, apresentar o destino, conectar hotéis, centros e espaços para eventos, atrações, serviços e fornecedores, apoiar candidaturas e mostrar que a região reúne diferentes possibilidades e estruturas para receber cada tipo de evento.
Esse é um dos grandes diferenciais de uma atuação regional. Cada município possui características, equipamentos e vocações próprias. O papel do Convention é conhecer essas possibilidades e apresentar, para cada evento, as soluções mais adequadas que a Região das Hortênsias pode oferecer.
É um trabalho de bastidores.
E talvez seja justamente por acontecer nos bastidores que pouca gente conheça o impacto que ele pode gerar.
Esta coluna nasce para mudar um pouco isso.
Nos próximos textos, quero mostrar como a região conquista um evento, quanto ele pode movimentar, quem participa desse processo e, principalmente, por que tudo isso importa para quem vive nos municípios da Região das Hortênsias*.
Porque quando um evento escolhe a Região das Hortênsias, não ganha apenas quem trabalha diretamente com ele.
Ganha o destino. Ganham os municípios. Ganham os negócios. E toda a região pode crescer junto.
E essa história está só começando.
Felipe Fioreze
30/09/2026

Colunista
Rodrigo Pazetto
Os ares da serra: tuberculose, isolamento e a origem da hospitalidade de Gramado
Diz-se que o turismo em Gramado nasceu de doentes que subiam a serra em busca de cura para a tuberculose. A frase é bonita, mas inverte a história. Nos anos 1920 e 1930 não havia remédio capaz de curar a doença, e quem subia a serra, muitas vezes, não vinha buscar tratamento: vinha sendo afastado.
Naquelas décadas, a tuberculose era a grande doença das cidades. Cortiços, fábricas mal ventiladas e desnutrição favoreciam um bacilo transmitido pelo ar. Em São Paulo, até a década de 1930, ela respondia por quase 70% das mortes por doenças infecciosas. A medicina conhecia o agente desde Robert Koch, em 1882, mas não tinha a arma: o primeiro antibiótico eficaz, a estreptomicina, só chegaria aos pacientes em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial. Até lá, a única ferramenta real de controle era separar o doente do sadio.
É daí que vem o hospital pavilionar. Em vez de um grande edifício único, erguiam-se blocos baixos e separados, com janelas altas e ventilação cruzada, cada um destinado a um tipo de doente — homens de um lado, mulheres de outro, infecciosos longe de todos. Em Porto Alegre, o hospital de isolamento do Arraial São José, na atual Avenida Bento Gonçalves, tinha seis pavilhões e recebeu doentes de hanseníase e, depois, tuberculosos. No mesmo terreno está hoje o Hospital Sanatório Partenon. O desenho do prédio era, ele próprio, o tratamento possível.
A climatoterapia completava a lógica. Os médicos da época recomendavam repouso, boa alimentação e o clima de altitude, inspirados nos sanatórios suíços. Não era charlatanismo: era a melhor medicina disponível, e muitos doentes de fato melhoravam. Mas o ar da montanha não mata o bacilo. Por isso "ir tomar os ares da serra" carregava duas mensagens: para o doente e sua família, esperança; para a cidade que ficava para trás, proteção. Relatos do período descrevem doentes pobres despachados das capitais por funcionários públicos, com apenas a passagem no bolso, rumo às estâncias de montanha.
Gramado entra nessa história quando se torna acessível. O trem chegou à Várzea Grande em 1919 e à estação central em 1921; o Hotel Bertolucci recebia hóspedes desde 1918. Subiam veranistas de Porto Alegre e, como em todas as serras brasileiras da época, também quem vinha por recomendação médica. Em outras estâncias, como Campos do Jordão, doentes precisavam ter copos e talheres com o próprio nome, e pensões recusavam os casos graves. Receber alguém que a própria cidade afastou, sem saber se ele se curaria, exigia mais que um quarto disponível: exigia disposição para oferecer dignidade a quem estava em isolamento. Essa é a origem menos contada da hospitalidade serrana.
Quando a cura chegou, a hospitalidade ficou. Depois da estreptomicina vieram a isoniazida, em 1952, e a rifampicina, no fim dos anos 1960. Hoje, no Brasil, a tuberculose sensível é tratada com o esquema RHZE: dois meses de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, reunidos num único comprimido de dose fixa ajustado ao peso, seguidos de quatro meses de rifampicina e isoniazida. São seis meses de tratamento, feito em casa e acompanhado pelas unidades de saúde, com cura na grande maioria dos casos em que é seguido até o fim. O que antes exigia anos de internação virou um tratamento ambulatorial. Os sanatórios esvaziaram, e as estâncias que só viviam da doença perderam a razão de existir.
Gramado sobreviveu porque já havia aprendido a receber. Durante a Segunda Guerra, com o litoral com algumas restrições à população civil, a vila foi divulgada como "maravilha de veraneio"; em 1954 veio a emancipação. O ativo que a região construiu não foi um remédio nem um sanatório, mas uma cultura de acolher bem quem chega de fora, lapidada ao longo de um século até a hotelaria, a gastronomia e os eventos profissionais de hoje. Quando a medicina não tinha o que oferecer, a serra ofereceu acolhimento. Talvez seja esse o traço mais autêntico de Gramado: saber receber bem quem chega, inclusive quem chega frágil.
Dr. Rodrigo de Oliveira Pazetto — médico oftalmologista, curador de saúde da revista Boulevard Gramado e diretor da Gramado Clínica de Olhos. CRM-RS 25748 · RQE 16763.
Sep 25, 2026 · @Rodrigo Pazetto

Por muito tempo, falar sobre turismo significava falar sobre destinos. Onde ir, o que visitar, onde se hospedar. Hoje, essa lógica já não é suficiente. O turista mudou. E, se queremos continuar relevantes, os destinos também precisam mudar.
O viajante de hoje não procura apenas um lugar bonito. Ele busca experiências, autenticidade, gastronomia, cultura, bem-estar, conveniência e, principalmente, algo que faça sentido para ele. Muitas vezes, a própria experiência é o motivo da viagem. Uma pesquisa recente mostra que eventos culturais, shows, gastronomia e outras experiências específicas já influenciam diretamente a escolha dos destinos pelos brasileiros.
Isso muda completamente a nossa responsabilidade enquanto destino turístico. Não basta mais ter bons hotéis, restaurantes e atrativos. É preciso entender quem nos visita, o que essa pessoa deseja viver e como podemos tornar sua jornada mais completa. O turismo deixou de ser apenas sobre chegar a um lugar. É sobre tudo aquilo que acontece antes, durante e depois da viagem.
Gramado e a Serra Gaúcha têm uma vantagem extraordinária: temos história, cultura, gastronomia, natureza, hospitalidade e uma capacidade reconhecida de criar experiências. Mas não podemos viver apenas das conquistas do passado. Precisamos continuar inovando.
Isso significa também olhar para tecnologia, sustentabilidade, acessibilidade e integração regional. Significa entender que o visitante não enxerga as fronteiras entre municípios da mesma forma que nós. Para ele, Serra Gaúcha é uma experiência que pode começar em um lugar, passar por outro e terminar em um terceiro.
Também precisamos compreender que os grandes eventos ganharam um papel ainda mais estratégico. Eles são capazes de despertar o desejo de viajar, movimentar a economia e criar novas razões para que as pessoas escolham determinado destino. O calendário turístico, portanto, não é apenas uma agenda de eventos. É uma ferramenta de desenvolvimento.
O novo turista também está mais atento. Quer consumir melhor, conhecer a cultura local, valorizar produtos regionais e encontrar destinos que tenham identidade. Isso nos desafia a transformar aquilo que já fazemos bem em experiências cada vez mais qualificadas.
Talvez essa seja uma das grandes perguntas que o turismo precisa fazer neste momento: não apenas “quantas pessoas queremos trazer?”, mas “o que queremos que elas levem daqui?”.
A resposta passa por memória, conexão e pertencimento. O futuro do turismo não será construído apenas pelos destinos que conseguirem atrair mais visitantes, mas por aqueles que conseguirem compreender melhor seus visitantes.
Eduardo Zorzanello
CEO FEsturis
Gramado, 23 de setembro de 2026

A Cidade Como Fruto de Nossas Escolhas Rafael Bazzan, arquiteto Na coluna anterior, falamos sobre Gramado como uma ideia coletiva. Uma ideia construída ao longo de mais de um século por muitas pessoas, em diferentes momentos, fazendo pequenas escolhas que, somadas, deram forma à cidade que conhecemos hoje. Portanto, essa “ideia Gramado” se materializa na paisagem. E paisagem, sob o olhar de quem pensa a cidade, não é apenas o que a natureza nos oferece, mas a soma do território natural com tudo o que construímos sobre ele, e a maneira como essas duas dimensões se relacionam. Em um mundo onde as cidades estão cada vez mais parecidas e perdem sua identidade, manter um lugar reconhecível tornou-se um ativo valioso. Basta olhar para fotografias genéricas de ruas pelo mundo para perceber a dificuldade de identificar onde estamos. Gramado vai na contramão: uma única imagem costuma ser suficiente para sabermos que estamos aqui. Isso não é obra do acaso, mas fruto de decisões contínuas, guiadas por essa ideia coletiva. Os vales, as encostas, os cursos d’água, os banhados e os remanescentes de Mata Atlântica, incluindo as araucárias, formam a base sobre a qual a cidade se construiu. Mas basta um olhar um pouco mais atento para perceber que a nossa paisagem, mesmo aquela que parece intocada, também é feita de escolhas de manejo e apropriação coletiva. O morro das Orquídeas pode ser um exemplo disso. Plátanos, hortênsias, azaleias e tantas outras espécies que hoje parecem inerentes à natureza local foram trazidas para cá e incorporadas. Ao longo do tempo, elas se integraram à arquitetura, formando a ambiência tão característica da imagem que projetamos da cidade. Como exemplo de paisagem construída podemos citar o Lago Negro e o Parque Knorr. Gramado já foi uma pequena cidade de casas de madeira, construídas com os materiais e técnicas disponíveis naquele momento. Com o desenvolvimento da cidade e do turismo, nossa arquitetura também foi se transformando. As referências culturais dos imigrantes se misturaram a influências europeias e brasileiras, criando uma arquitetura própria. Mantivemos elementos característicos e, fundamentalmente, uma escala compatível com o que somos: uma pequena cidade da Serra Gaúcha. Mas, para além da topografia e das construções, há uma outra dimensão que molda a paisagem e que também é fruto de escolhas: o espaço intermediário. É nessa fronteira entre o público e o privado que a vida urbana realmente acontece. É o palco dos encontros cotidianos e o lugar onde uma boa cidade é, de fato, vivenciada. Uma calçada bem desenhada, uma árvore no lugar certo projetando sombra no verão, um banco que convida a sentar e observar o movimento, uma fachada que conversa com a rua, permitindo que a loja mantenha as portas abertas para quem passa a pé. São intervenções pontuais, mas é da soma desses pequenos gestos que nasce a qualidade da nossa experiência urbana. São essas gentilezas espaciais que, muitas vezes sem percebermos, nos fazem criar apego por um lugar. É curioso pensar que até aquilo que nos parece puramente natural é, no fundo, resultado da intervenção humana. E é justamente aí que mora o nosso maior desafio. Gramado vai continuar mudando. Novos edifícios serão erguidos, teremos que adaptar nossa infraestrutura às mudanças climáticas, responder às novas dinâmicas econômicas e, acima de tudo, às necessidades de quem vive aqui. Tudo isso parece, à primeira vista, assunto técnico, mas não é. São escolhas reais sobre a cidade que queremos continuar construindo e sobre o que desejamos reconhecer quando olharmos para Gramado daqui a vinte ou trinta anos. A paisagem de Gramado não aconteceu por acaso. Ela é resultado de escolhas. Durante mais de um século, milhares de pequenos gestos construíram a Gramado que reconhecemos hoje. E para cada nova escolha que fizermos, devemos ter o compromisso de continuar construindo essa mesma ideia.
Rafael Bazzan,
Secretário de Planejamento e Arquiteto
Gramado, 16 de setembro de 2026

Há momentos em que Gramado parece mudar de ritmo. Durante o Festival de Cinema, isso acontece de uma maneira muito especial. As luzes, os encontros, os artistas, os filmes, o movimento nas ruas e toda a atmosfera que envolve estes dias fazem parte de uma história que aprendemos a reconhecer e admirar.
Para quem nasceu e vive aqui, porém, talvez exista algo ainda mais bonito por trás de tudo isso. O Festival não ocupa apenas as telas. Ele faz parte da memória de Gramado. Gerações cresceram vendo a cidade transformar-se durante esses dias, acompanhando famosos chegarem, talentos serem reconhecidos e o cinema brasileiro encontrar aqui o seu espaço.
Com o passar do tempo, aprendi que a verdadeira importância de um evento não está somente naquilo que acontece enquanto as luzes estão acesas. Está também naquilo que permanece quando elas se apagam. E talvez seja justamente aí que esteja um legado e uma das conexões mais bonitas que o evento pode construir: a conexão com as novas gerações.
No ano de 2024 fui convidada por Elisabete Hausmann, a Betinha, para estar mais próxima do Educavídeo, projeto destinado a crianças e adolescentes, uma escola de cinema. Desde então, nos os últimos três anos, eu tenho tido a honra de ser madrinha deste projeto que, neste ano, completa 15 anos de trajetória. Esta proximidade, permitiu-me testemunhar a entrega e dedicação das professoras que ministram, com maestria, mais de 100 alunos, e enxergar, de uma maneira ainda mais clara, o potencial que existe quando educação, cultura e audiovisual se encontram.
Quando pensamos em cinema, muitas vezes pensamos no resultado final: na tela, na estreia, nos atores, diretores, produtores e prêmios. Mas, antes de qualquer filme, existe alguém imaginando uma história, um olhar, uma pergunta, uma ideia que ainda não encontrou forma.
É isso que mais me encanta no Educavídeo. Ver jovens descobrindo que podem observar o mundo e transformá-lo em narrativa. É perceber que o audiovisual também pode ser uma ferramenta de educação, expressão e pertencimento. Uma câmera, nas mãos de um jovem, deixa de ser apenas um equipamento. Pode se tornar uma maneira de olhar para a própria cidade, para sua família, seus amigos, seus conflitos, seus sonhos e para a realidade ao seu redor.
Existe algo muito poderoso em descobrir, ainda cedo, que a nossa visão de mundo também merece ser compartilhada. Talvez nem todos aqueles jovens sigam profissionalmente o trabalho com audiovisual. Alguns poderão se tornar cineastas, atores, roteiristas, produtores ou técnicos. Outros escolherão caminhos completamente diferentes. Mas acredito que todos levam alguma coisa dessa experiência.
Aprendem a contar uma história, trabalhar em equipe, ouvir, criar, defender uma ideia e olhar para uma situação por diferentes ângulos. E, principalmente, percebem que também podem ser protagonistas. É por isto que ser madrinha desse projeto tem um significado tão especial para mim. Representa uma forma de dizer que acredito nesses jovens, no talento que talvez ainda esteja sendo descoberto e nas ideias que começam pequenas, mas podem ganhar dimensões que hoje nem conseguimos imaginar.
Empreender também passa por essa compreensão. O desenvolvimento de uma cidade não se mede apenas pelos negócios que ela cria, mas também pelas oportunidades que é capaz de construir. Investir em projetos como o Educavídeo é investir em formação, criatividade, repertório e futuro. Quando quem empreende entende que seu papel pode ir além da atividade empresarial e contribuir para iniciativas de educação e cultura, fortalece não apenas um projeto, mas a própria comunidade e as gerações que darão continuidade a ela.
Gramado sempre soube compreender a importância de criar experiências. Foi assim com o turismo, com os eventos, com a gastronomia e com tantas iniciativas que ajudaram a construir a cidade que conhecemos. Mas existe uma etapa ainda mais importante: garantir que as próximas gerações não sejam apenas espectadoras dessa história. Que elas também tenham ferramentas para escrevê-la.
Quando um festival com a visibilidade que o Festival de Cinema proporciona para Gramado se conecta à educação e abre espaço para novos olhares, cria-se algo que ultrapassa a programação de alguns dias. Cria-se continuidade. E acredito muito nisso. Tradições só permanecem vivas quando conseguem conversar com o futuro.
Preservar não significa simplesmente repetir aquilo que já foi feito. Significa compreender a essência do que construímos e permitir que novas gerações encontrem sua própria maneira de continuar essa história. Talvez, entre tantos filmes exibidos, encontros realizados e histórias celebradas, algumas das cenas mais importantes estejam justamente ali: no olhar de um jovem descobrindo que também é capaz de criar.
Todo grande projeto começou com alguém acreditando em uma ideia. E talvez o próximo grande diretor, roteirista, ator ou contador de histórias esteja hoje em uma sala de aula da nossa cidade, experimentando uma câmera, escrevendo suas primeiras cenas ou simplesmente descobrindo que existe um lugar para a sua voz.
Não sabemos quem será ou até onde essa experiência poderá levá-lo. E talvez essa seja justamente a beleza. O futuro ainda não foi escrito. Mas podemos ajudar a criar as condições para que ele seja.
Ser madrinha do Educavídeo me faz olhar para o Festival de Cinema de Gramado também por esta perspectiva. Com orgulho por tudo aquilo que já foi construído, mas principalmente com entusiasmo por aquilo que ainda podemos construir.
Porque um festival celebra histórias. A educação cria oportunidades para que novas histórias possam nascer. E quando essas duas forças se encontram, Gramado não está apenas projetando filmes em uma tela. Está projetando o seu futuro.

Gramado é uma cidade que aprendeu a receber. Ao longo de sua história, construiu uma identidade marcada pelo cuidado, pela beleza, pelo turismo e, principalmente, pela hospitalidade que em décadas veio acrescentar diferentes perfis de visitantes.Todos os dias, nossa cidade recebe pessoas de diferentes lugares, culturas, idades e profissões.
No início do século passado, os visitantes vinham das regiões próximas da capital do RS, do Vale dos Sinos e de outras cidades próximas à Serra Gaúcha, à procura de um lugar sossegado e principalmente do clima ameno como benefício para a saúde e para descansar. Na grande maioria, público de melhor idade .
Com o surgimento da FEARTE – Feira Nacional do Artesanato e do FESTIVAL DE CINEMA nos anos 70, as famílias começaram a aparecer. Surgiam também o café colonial, as galeterias e as primeiras atrações econômicas da cidade que reforçaram a construção do dna gramadense de bem receber e bem servir.
Com o surgimento do NATAL LUZ em meados dos anos 80 as famílias eram maiores. Vinham todos, desde os avós, filhos, netos e parentes próximos.
Com a construção dos dois grandes centros de eventos, o Serra Park fundado em 1997 e, na sequência o ExpoGramado, o turismo de negócios começou a ocupar os espaços da cidade.
A partir desse momento, o NATAL LUZ passa a ter mudanças que o tornam um grande evento turístico, sendo comentado em todos os estados do Brasil e logo se tornando o maior evento da cidade. Resultado do trabalho do coreógrafo Joãosinho Trinta (i.m) e a competência e dedicação do empresário Luciano Peccin.
Nos últimos anos, percebemos um incremento no perfil das famílias. Agora, mais jovens, crianças pequenas, casais na faixa etária menos 40, devido ao surgimento dos parques, restaurantes temáticos , museus e muitos atrativos para crianças principalmente.
Gramado hoje recebe um público bem diversificado, com as expectativas mais diversas, mas o que não mudou e, na minha opinião foi o alicerce para essa conquista é o jeito gramadense de servir, aquela recepção familiar muitas vezes com os proprietários dos estabelecimentos presentes ou pessoas bem treinadas e educadas para receber. O jeito pessoalizado de um bom dia, boa tarde ou boa noite. A atenção continua em tornar esses momentos não simplesmente um serviço, mas com certeza uma experiência, que nos dias atuais é imprescindível para alcançar e manter os resultados que o Gramado conseguiu atingir .

Nossa Cartilha Arquitetônica (DNA Gramado)
Já está em vigor a Lei Complementar 10/2025 que delibera sobre o estilo arquitetônico que os novos projetos devem seguir, além dos parâmetros já estabelecidos pelo nosso Plano Diretor. Uma conquista muito importante para Gramado seguir com seu charme e estilo próprio. Vou tentar explicar de modo simples como funciona.
Definir o nosso estilo arquitetônico parece fácil, mas se considerarmos as várias formas volumétricas “criativas” que aparecem, a tarefa não é tão simples assim. Como então foi criada esta Lei, e com ela quem analisa os projetos poderá dizer que se enquadra ou não no nosso estilo?
Primeiro passo foi identificar os materiais construtivos mais utilizados nas construções que elencamos como sendo do estilo que nos representa. Fácil: Madeira, Pedra, Tijolos aparentes. Passo dois, identificar os itens de forte presença nas construções: telhados, oitões (parte triangular em alvenaria do telhado), gaiutas ou água furtadas (telhadinhos inseridos no telhado principal), floreiras. Criamos então uma escala de pontuação. Quanto mais destes materiais e itens tiver o projeto, maior a nota. E por último, definimos notas mínimas para os projetos em cada bairro, de 0 a 100. No centro, por exemplo, a nota mínima é 80. Abaixo disso o projeto não é aprovado.
Em resumo. Se seu projeto tiver madeira, pedra, telhado, gaiutas e floreiras, provavelmente terá nota 10. Cabe registrar que há exceções e diferentes notas mínimas para cada bairro.
Parabéns à equipe técnica da Planta, a qual honrosamente me incluo, por esta importante criação. Creio que inédita no Brasil.
Acesse a cartilha através do link a baixo
https://plantaserragaucha.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Cartilha_digital_.pdf
Ricardo Peccin
09/09/2026

Quando falamos em longevidade, o mundo aponta para 5 lugares: Okinawa, Nicoya, Icaria, Sardenha e Loma Linda. São as chamadas "Blue Zones", regiões com o maior número de centenários do planeta, termo vindo pelos cabeloz brancos azulados, dados pelo pesquisador italiano Gianni Pes. A lista oficial vem sendo questionada por outros pesquisadores, no entanto, o hábitos de estilo de vida, comprovadamente são absolutamente relevantes para a expectativa de vida. Gramado não está na lista oficial. Não tem o maior número de centenários do Brasil. Mas será que deveria estar nas com excelente qualidade de vida? Apesar de não constar na literatura, nossa cidade carrega características que se repetem exatamente nessas zonas azuis estudadas por médicos e epidemiologistas do mundo todo. Nossos antigos já viviam como centenários.
Eles subiam e desciam montanhas todos os dias os morros nas nossas linhas. Não era "exercício", era vida cotidiana. Plantavam sua própria comida, colhiam do quintal e criavam seus animais nas colônias. O movimento era natural, constante e presente até o fim da vida. Comunidade que sustenta.
A rede de apoio aqui sempre foi forte. Frequentemente ligada à igreja, às ações sociais, aos grupos de idosos, aos corais e às festas da colônia. Ter propósito e pertencer a algo maior é um dos pilares da longevidade - e isso é Gramado. Natureza como rotina.
Parques, bosques, ruas arborizadas. O contato com o verde não é passeio de fim de semana. É ir trabalhar, é caminhar até a padaria, é tomar chimarrão na praça. A natureza acalma, reduz estresse e nos conecta. Afeto que alimenta.
Nas Blue Zones eles chamam de "tribo". Aqui chamamos de família, vizinho, amigo. As relações de afeto em Gramado são cultivadas. E ciência já mostrou: quem tem com quem contar, vive mais e melhor. Tudo isso continua acontecendo. Por isso tanta gente escolhe Gramado não só pra visitar, mas pra viver. A cidade oferece, de forma natural, as condições para uma expectativa de vida com mais saúde. Talvez, o mundo ainda não tenha dado o "título" oficial pra Gramado.
Mas quem vive aqui já sabe: qualidade de vida não é sorte. É hábito, é comunidade, é propósito.
"E nisso, Gramado é zona azul sim."
Dra. Mariela Silveira
Diretora Médica do KUROTEL
Palestrante em Eventos Nacionais e Internacionais
Pós Graduada em Nutrologia pela USP, e Especialista em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia.
Pós Graduada em Acupintura Médica pela PUC-RS
Pós Graduada em Terapia Cognitiva pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas da USP
Fundadora da ONG Mente Viva.

Gramado é uma inconformada
Quem estava aqui quando o apito do trem quebrou o silêncio, em 1921?
Quem estava aqui quando imigrantes, com urgência, abriam estradas com nada além de pobreza e coragem?
Quem estava aqui quando a placa de “aberto” foi estreada na vitrine do primeiro restaurante?
Nós estávamos, todos. E estávamos porque carregamos, resilientes e criativos que somos, o DNA da invenção (típico a quem faz desta terra o seu lar): do fazer com a ferramenta crua, porém disponível; do sonhar com um futuro apartado, porém possível; do criar com a inquietude de um projeto ambicioso, porém inconformado.
Gramado é a incubadora de desejos do Brasil, em uma jornada tão orgânica quanto rara. A região cravada entre as montanhas, ainda tímida e recolhida, se fez no século 20 com o desembarque desesperado e um tanto astuto de sujeitos europeus à procura de uma vida digna: com comida, com habitação, com segurança. Pensemos, juntos: qual o maior indicativo de desesperança, se não a fome? E qual o maior guindaste para a transformação, se não o trabalho? Ao combinar (neste caso, literalmente) a fome com a vontade de comer, esta gente vinda do lado de lá do oceano fez o que precisava ser feito: não se conformou.
Quem escolheu fazer
Gramado é a soma daquelas e daqueles que semearam esperança ao subir a serra desconhecida; que instituíram uma comunidade de colaboração e pertencimento; e que fabricaram a cultura da hospitalidade, com um processo de bem receber avesso à cópia, tão genuíno e ímpar que é.
Com a chegada da ferrovia, na década de 20, a comida é a protagonista econômica e principal fonte de renda da ainda pequena população – seja na agricultura (aliada à exploração da madeira), no comércio (de armazéns de secos e molhados), na hotelaria (com o estímulo à vinda de turistas), e no transporte (uma vez que estes visitantes chegariam via linha férrea).
A terra provia alimento: para encerrar a fome.
O trabalho gerava renda: para estimular o desenvolvimento.
Com disciplina, perspicácia, ambição e resiliência, mulheres e homens moldaram com orgulho o gentílico “gramadense” e constituíram uma cadeia ancorada na alimentação: ao apresentar cada refeição como um pedaço de Gramado. A hospitalidade com denominação de origem é o berço: primeiro, servimos aos nossos; depois, abastecemos quem por aqui desembarca; e mais adiante, acolhemos quem deseja permanecer.
Uma história de inquietação
O segredo é começar. E elas e eles começaram.
Com os embutidos maturando nos porões, com o pão assado em forno de pedra, com as cucas moldadas a mão, com os galetos ao primeiro canto, com as uvas que fariam a comunidade feliz com um tanto de vinho (e um pouco de suco, por que não?).
A produção agrícola inverte a versão de pequeno vilarejo do interior para um destino de entretenimento, de oportunidade de renda, de uma gente crítica e inventiva. Consciente ou não, cada próximo projeto empreendedor que alimentou a indústria criativa e vibrante estava ali, sempre dobrando a esquina mais próxima. Gramado é este território edificado sobre as histórias vividas e contadas por uma gente inconformada: que não cessou, que não descansou, que não desistiu. São os gramadenses que aqui espalharam a boa nova das fondues, dos cafés coloniais, das churrascarias, dos biscoitos, das cantinas; com a mesa farta para compartilhar e nunca esquecer de quem fez da gastronomia o principal porquê de sermos quem somos.
São estes mesmos princípios de coletividade e de desassossego que impulsionam a nós, do recém-nomeado Grupo Terruá, há três décadas (com os restaurantes Di Pietro, MLBK, Catherine e Soleil Casa Perini): com extrema honra e com imensurável respeito nós carregamos o inconformismo de quem entendeu que esta cidade merece e precisa de mais.
É por esta história lapidada desde o fim do século 19 que a matéria-prima de quem serve comida em Gramado não é o pinhão, a erva-mate, a polenta, a galinha, o chocolate. O ingrediente mais inseparável do cozinhar e do serviço sempre foi, ainda é e desejamos que permaneça sendo: a certeza de que é preciso estar em movimento.
JOSIANO SCHMITT
Diretor Grupo TERRUÁ
Di Pietro
MLBK
Catherine
Soleil

A história de Gramado costuma ser contada a partir de seus eventos, do seu crescimento ou da força no turismo. Existe, porém, uma narrativa menos evidente e mais reveladora. Ela não trata da evolução da cidade, mas sim da formação de um significado. A verdade é que Gramado tornou-se uma marca muito antes de alguém utilizar essa palavra para descrevê-la.
O desenvolvimento de uma cidade pode trazer pessoas, investimentos e uma economia pulsante. Tudo isso é positivo, mas ainda assim não a qualifica como uma marca de valor. Na minha visão, é neste ponto que Gramado se diferencia, pois alcançou algo difícil de conquistar e mais ainda de manter: transformou seu próprio nome em um ativo de valor.
Hoje, dizer "Gramado" significa muito mais do que indicar um ponto no mapa da Serra Gaúcha. Significa evocar um conjunto de percepções, expectativas e sentimentos construídos ao longo de décadas e, sobretudo, sustentados por pessoas.
Durante muito tempo, achei que minha trajetória como jornalista tivesse sido dedicada a contar a história e os feitos de Gramado. Hoje, percebo que ela me permitiu acompanhar algo muito mais raro, a construção consistente de uma marca.
Ao longo de mais de vinte e cinco anos escrevi sobre turismo, economia, gastronomia, empreendedorismo, eventos e pessoas. Entrevistei pioneiros, acompanhei empresas nascerem, testemunhei sucessões familiares e vi novos investimentos redesenharem a cidade. Mais tarde, quando o branding passou a fazer parte da minha qualificação e atuação profissional, compreendi que todos aqueles acontecimentos tinham um elemento em comum: reputação.
Existe um equívoco recorrente quando se tenta explicar o sucesso de Gramado. A narrativa costuma começar pelos grandes eventos, pelos hotéis e restaurantes ou pelos milhões de visitantes recebidos a cada ano. Na minha percepção, a marca "Gramado” foi cunhada muito antes. Começa quando uma comunidade formada por imigrantes alemães, italianos e portugueses escolheram transformar trabalho, cooperação, cuidado com os espaços públicos e compromisso coletivo em valores permanentes. O turismo foi consequência. E a consolidação desses valores em marca também.
É curioso observar quantas empresas investem grandes recursos tentando construir uma marca, enquanto ignoram aquilo que realmente lhe dá sustentação: coerência. Marcas não se consolidam pela intensidade da comunicação, mas pela consistência das decisões.
Gramado nunca ocupou um espaço privilegiado na memória das pessoas porque disse que era diferente. Ocupou porque, durante décadas, confirmou essa promessa em milhares de pequenas atitudes, muitas delas imperceptíveis aos olhos.Tudo isso culminou em um ativo muito valioso: confiança.
A confiança não pode ser inaugurada, acelerada ou comprada. Apenas conquistada. Essa é a maior responsabilidade de quem empreende, investe ou vive em Gramado. Cada decisão fortalece (ou enfraquece) um patrimônio que pertence a todos.
É justamente por isso que considero reducionista afirmar que Gramado "vende turismo". Gramado vende confiança. Quem decide passar férias confia que irá encontrar hospitalidade e qualidade na experiência vivida. Quem investe, confia na estabilidade e em um ambiente favorável ao empreendedorismo. Quem escolhe a cidade para morar confia que encontrará qualidade de vida e oportunidades.
A reputação de Gramado nunca pertenceu exclusivamente ao poder público, ao setor turístico ou às empresas. Ela pertence à percepção construída diariamente por milhões de pessoas que vivem, trabalham, investem e visitam a nossa cidade.
Contudo, toda marca consolidada enfrenta um desafio permanente. O sucesso do passado pode se transformar na maior armadilha do futuro. Reputação não é um patrimônio estático. Ela exige vigilância constante, capacidade de adaptação e coragem para inovar sem romper com aquilo que lhe confere autenticidade, qualidade e confiança. Acredito que este é o maior compromisso da marca Gramado para as próximas décadas.
Adriana Silveira
Jornalista, especialista em Branding Corporativo e Personal Branding

Gramado: a transição de um destino para uma narrativa viva
Por Ricardo Bertolucci
Gramado nunca foi um acaso. Quem observa a cidade apenas pelo seu resultado, ruas cuidadas, arquitetura coerente, eventos consolidados, corre o risco de não compreender o que realmente a sustenta: uma construção contínua, coletiva e profundamente intencional.
Hoje, no entanto, vivemos um novo momento. Não se trata apenas de manter o que foi feito, mas de reinterpretar o que somos. Gramado está em transição. E essa transição tem um eixo claro: deixar de ser percebida apenas como um destino turístico para se afirmar como uma narrativa viva. É nesse contexto que surge o conceito “Gramado — Feita de Histórias”.
Essa não é uma mudança estética. É uma mudança de lógica.
Durante décadas, Gramado se consolidou com base em atributos tangíveis, infraestrutura, eventos, organização urbana. Esse modelo foi essencial e continua sendo. Mas o mundo mudou. Os destinos mais relevantes hoje não competem apenas por estrutura; competem por significado. E significado nasce de identidade.
Foi com esse entendimento que iniciamos um processo estruturado de reposicionamento, contando com o apoio da consultoria N Lugares Futuros. O trabalho não partiu de um exercício criativo isolado, mas de um diagnóstico profundo sobre o que torna Gramado verdadeiramente singular.
E aqui está um ponto central: singularidade não é aquilo que queremos ser. É aquilo que só nós podemos ser.
Gramado não é apenas bonita. Não é apenas organizada. Não é apenas turística. Gramado é uma cidade que, ao longo de sua história, construiu uma capacidade rara de transformar realidade em experiência e experiência em memória.
Desde os primeiros imigrantes, passando pela construção da identidade arquitetônica, até a criação de eventos como o Natal Luz ou o Festival de Cinema, há um padrão que se repete: Gramado cria histórias que são vividas pelas pessoas.
O conceito “Feita de Histórias” nasce dessa constatação. Ele não é uma invenção. É uma leitura.
Mas mais importante do que o conceito em si é o que ele exige de nós.
Essa transição implica uma mudança de postura em todas as frentes.
Na gestão pública, significa planejar a cidade não apenas como espaço físico, mas como experiência narrativa.
No trade turístico, significa entender que cada serviço prestado, do hotel ao restaurante, é parte de uma história maior.
Na comunicação, significa abandonar discursos genéricos e assumir uma identidade própria, coerente e contínua.
No urbanismo, significa reforçar uma estética que dialogue com essa narrativa, respeitando o passado e projetando o futuro.
Não se trata de “contar histórias” no sentido superficial. Trata-se de estruturar a cidade como um sistema de histórias.
Essa lógica nos permite avançar em algo que poucos destinos conseguem: consistência de identidade ao longo do tempo.
E isso é estratégico.
Num cenário global em que destinos competem cada vez mais por atenção, investimento e desejo, não vence quem faz mais barulho. Vence quem constrói mais sentido.
Gramado já provou que sabe se reinventar sem perder sua essência. A transição que estamos vivendo agora é mais um desses momentos, talvez o mais sofisticado deles. Porque não se trata apenas de crescer ou modernizar. Trata-se de refinar o que somos.
“Feita de Histórias” não é um slogan. É um compromisso.
Um compromisso de continuar construindo uma cidade onde o passado não é esquecido, o presente é vivido com intensidade e o futuro é desenhado com intenção.
Gramado segue sendo um destino.
Mas, acima de tudo, passa a ser compreendida como aquilo que sempre foi:
uma história em constante construção.
Colunista
Luiz Alberto Oaigen
Em breve novos conteúdos.